II domingo depois do Natal
O Deus transcendente, três vezes santo, isto é, três vezes "outro", veio até nós para ser um de nós: Deus -disse João - fez-se sárx, carne frágil, nascida para a morte, carne numa única vida, carne que conheceu a sedução do mal e a debilidade da sua natureza, até à tentação e à morte da cruz.
Não esqueçamos, porém, que foi Deus que se esvaziou das suas prerrogativas divinas (cf. Fil 2,6-8) para ser, em Jesus, aquele Adão que, por amor, havia criado e posto no cume de toda a sua obra (cf. Col 1,15-17). Quando Deus criou o homem, Adão, fê-lo à imagem do Seu Filho, da sua Palavra e na plenitude dos tempos vê o Filho, verdadeiro Adão, verdadeiro Homem e ao mesmo tempo Sua Palavra, despojado de todo o poder divino para ser o verdadeiro Adão que tanto esperara.
Nós hoje confessamos que a Deus nenhum homem jamais viu e jamais verá, mas o Seu filho, a Sua Palavra feita homem, no-Lo recontou (exeghésato). Por isso, tudo aquilo que possamos saber de Deus devemos aprendê-lo da humanidade de Jesus: de como nasceu, de como viveu e de como morreu .
Ir. Enzo Bianchi, Prior de Bose